Os cinco exames ocupacionais
A norma prevê cinco momentos de avaliação clínica ao longo do contrato. Cada um deles gera um ASO, o Atestado de Saúde Ocupacional.
- AdmissionalAntes de o trabalhador assumir suas atividades. É o exame que estabelece a linha de base da saúde daquela pessoa para aquela função.
- PeriódicoAo longo do contrato, para acompanhar a saúde de quem está exposto a riscos. A periodicidade é definida no próprio PCMSO.
- Retorno ao trabalhoApós afastamento por motivo de saúde, para verificar se o trabalhador pode retomar a função que exercia.
- Mudança de riscos ocupacionaisQuando o trabalhador passa a exercer função diferente, com exposição a riscos diferentes dos anteriores.
- DemissionalAo fim do contrato. É o exame que registra em que condição de saúde a pessoa deixou a empresa, e o que costuma decidir uma perícia depois.
A periodicidade não é mais fixa
Muito conteúdo ainda repete intervalos rígidos para o exame periódico, herdados de redações anteriores da norma.
Na NR-7 vigente, a periodicidade é definida no próprio PCMSO, pelo médico coordenador, a partir dos riscos identificados no inventário do PGR e das características de cada função e trabalhador. Ou seja: não existe um número que valha para todo mundo. Existe um critério, e ele é técnico.
Por isso um PCMSO copiado de modelo genérico não se sustenta: ele precisa refletir os riscos daquela empresa, que vêm do PGR daquela empresa.
O que precisa constar no ASO
O atestado não é um papel de formalidade. Ele identifica o trabalhador e a função, registra os riscos ocupacionais a que ele está exposto, indica os exames realizados com suas datas, traz a conclusão sobre a aptidão para a função específica, e é assinado pelo médico responsável com identificação e registro profissional.
É esse conjunto que dá valor probatório ao documento. Um ASO que só diz “apto”, sem registrar os riscos e os exames, perde força exatamente quando ela é mais necessária, numa ação por doença ocupacional ou numa perícia do INSS.
Relatório analítico
O PCMSO também produz um relatório analítico periódico, com o panorama da saúde do conjunto dos trabalhadores. É o instrumento que permite enxergar padrão, e corrigir causa em vez de tratar caso a caso.
Monitoramento biológico: as 46 substâncias do Anexo I
Para alguns agentes químicos, a NR-7 não deixa a critério do médico: ela determina qual indicador biológico medir, em que momento da jornada coletar e qual o valor de referência. É o Quadro 1 do Anexo I, alterado pela Portaria MTP nº 567/2022, com 66 indicadores para 46 substâncias.
| Substância | Indicador biológico | Coleta | Valor de referência |
|---|---|---|---|
| 1,1,1 TricloroetanoCAS 71-55-6 | 1,1,1 Tricloroetano no ar exalado final ou | AJFS | 40 ppm |
| Ácido tricloroacético na urina ou | FJFS | 10 mg/L | |
| Tricloroetanol total na urina ou | FJFS | 30 mg/L | |
| Tricloroetanol total no sangue | FJFS | 1 mg/L | |
| 1,3 butadienoCAS 106-99-0 | 1,2 dihidro-4 (nacetilcisteína) butano na urina | FJ | 2,5 mg/L |
| 1,6 diisocianato de hexametileno (HDI)CAS 822-06-0 | 1,6 hexametilenodiamina na urina | FJ | 15 µg/g creat. |
| 2-butoxietanolCAS 111-76-2 | Ácido butoxiacético na urina (BAA) (H) | FJ | 200 mg/g creat. |
| 2-metoxietanol eCAS 109-86-4 | Ácido 2- metóxiacético na urina | FJFS | 1 mg/g creat. |
| 2-propanolCAS 67-63-0 | Acetona na urina | FJFS | 40 mg/L |
| 2,4 e 2,6 Tolueno diisocianatoCAS 58484-9 9108-7 | Isômeros 2,4 e 2,6 toluenodiamino | FJ | 5 µg/g creat. |
| (puros ou em mistura dos dois isômeros) | na urina(H) (soma dos isômeros) | — | — |
| AcetonaCAS 67-64-1 | Acetona na urina | FJ | 25 mg/L |
| AnilinaCAS 62-53-3 | p-amino-fenol na urina(H) ou | FJ | 50 mg/L |
| metahemoglobina no sangue | FJ | 1,5% da hemoglobina | |
| Arsênico elementar e seus compostos inorgânicos solúveis, exceto arsina e arsenato de gálioCAS 7440-38-2 | Arsênico inorgânico mais metabólitos metilados na urina | FS | 35 µg/L |
| BenzenoCAS 71-43-2 | Ácido s- fenilmercaptúrico (S- PMA) na urina ou | FJ | 45 µg/g creat. |
| Ácido trans- transmucônico (TTMA) na urina | FJ | 750 µg/g creat. Observação: para a siderurgia será mantida a regra atualmente vigente. | |
| Chumbo tetraetilaCAS 78-00-2 | Chumbo na urina | FJ | 50 µg/L |
| CiclohexanonaCAS 108-94-1 | 1,2 ciclohexanodiol( H) na urina ou | FJFS | 80 mg/L |
| Ciclohexanol (H) na urina | FJ | 8 mg/L | |
| ClorobenzenoCAS 108-90-7 | 4clorocatecol(H) na urina ou | FJFS | 100 mg/g creat. |
| p-clorofenol (H) na | FJFS | 20 mg/g | |
| urina | — | creat. | |
| Cobalto e seus compostos inorgânicos, incluindo óxidos de cobalto, mas não combinados com carbeto de tungstênioCAS 7440-48-4 | Cobalto na urina | FJFS | 15 µg/L |
| Cromo hexavalente (compostos solúveis)CAS 7440-47-3 | Cromo na urina ou | FJFS | 25 µg/L |
| Cromo na urina | AJ-FJ (Aumento durante a Jornada) | 10 µg/L | |
| DiclorometanoCAS 75-09-2 | Diclorometano na urina | FJ | 0,3 mg/L |
| EstirenoCAS 100-42-5 | Soma dos ácidos mandélico e fenilglioxílico na urina ou | FJ | 400 mg/g creat. |
| Estireno na urina | FJ | 40 µg/L | |
| EtilbenzenoCAS 100-41-4 | Soma dos ácidos mandélico e fenilglioxílico na urina | FJ | 0,15 g/g creat. |
| Etoxietanol e EtoxietilacetatoCAS 1. 111-15-9 | Ácido etoxiacético na urina | FJFS | 100 mg/g creat. |
| FenolCAS 108-95-2 | Fenol(H) na urina | FJ | 250 mg/g creat. |
| FurfuralCAS 98-01-1 | Ácido furóico(H) na urina | FJ | 200 mg/L |
| Indutores de Metahemoglobina | Metahemoglobina no sangue | FJ | 1,5% da hemoglobina |
| Mercúrio metálicoCAS 7439-97-6 | Mercúrio na urina | AJ | 20 µg/g creat. |
| MetanolCAS 67-56-1 | Metanol na urina | FJ | 15 mg/L |
| Metil butil cetonaCAS 591-78-6 | 2,5 | FJFS | 0,4 mg/L |
| hexanodiona(SH) (2,5H D) na urina | — | — | |
| Metiletilcetona (MEK)CAS 78-93-3 | MEK na urina | FJ | 2 mg/L |
| Metilisobutilceto na (MIBK)CAS 108-10-1 | MIBK na urina | FJ | 1 mg/L |
| Monóxido de carbonoCAS 630-08-0 | Carboxihemoglobina no sangue ou | FJ | 3,5% da hemoglobina |
| Monóxido de carbono no ar exalado final | FJ | 20 ppm | |
| n-hexanoCAS 110-54-3 | 2,5 hexanodiona(SH) (2,5H D) na urina | FJ | 0,5 mg/L |
| NitrobenzenoCAS 98-95-3 | Metahemoglobina no sangue | FJ | 1,5% da hemoglobina |
| N-metil-2- pirrolidonaCAS 872-50-4 | 5-hidroxi-n-metil- | FJ | 100 mg/L |
| 2- pirrolidona(SH) na urina | — | — | |
| N,N Dimetilacetami daCAS 127-19-5 | Nmetilacetamida na urina | FJFS | 30 mg/g creat. |
| N,N DimetilformamidaCAS 68-12-2 | Nmetilformamida total1 na urina 1(soma da N- metilformamida e N-(hidroximetil)-N- metilformamida) ou | FJ | 30 mg/L |
| N-Acetil-S-(N- metilcarbemoil) cisteína na urina | FJFS | 30 mg/L | |
| Óxido de etilenoCAS 75-21-8 | Adutos de N-(2- hidroxietil) valina (HEV) em hemoglobina | NC | 5.000 pmol/g hemog. |
| Sulfeto de carbonoCAS 75-15-0 | Ácido 2- tioxotiazolidina 4 carboxílico (TTCA) na urina | FJ | 0,5 mg/g creat. |
| TetracloroetilenoCAS 127-18-4 | Tetracloretile no ar exalado final ou | AJ | 3 ppm |
| Tetracloroetieno no sangue | AJ | 0,5 mg/L | |
| TetrahidrofuranoCAS 109-99-9 | Tetrahidrofurano na Urina | FJ | 2 mg/L |
| ToluenoCAS 108-88-3 | Tolueno no sangue ou | AJFS | 0,02 mg/L |
| Tolueno na urina ou | FJ | 0,03 mg/L | |
| Orto-cresol na urina(H) | FJ | 0,3 mg/g creat. | |
| TricloroetilenoCAS 79-01-6 | Ácido tricloroacético na urina ou | FJFS | 15 mg/L |
| Tricloroetanol no sangue(SH) | FJFS | 0,5 mg/L | |
| XilenosCAS 9547-6 10642-3 10838-3 1330-27-7 | Ácido metilhipúrico na urina | FJ | 1,5 mg/g creat. |
| Cádmio e seus compostos inorgânicosCAS 7440-43-9 | Cádmio na urina | NC | 5 µg/g creat. |
| Chumbo e seus compostos inorgânicosCAS 7439-92-1 | Chumbo no sangue (Pb-S) e | NC | 60 µg/100ml(M) |
| Ácido Delta Amino Levulínico na urina (ALA- U) | NC | 10 mg/g creat. | |
| Inseticidas inibidores da Colinesterase | Atividade da acetilcolinesterase eritrocitária ou | FJ | 70% da atividade basal |
| Atividade da butilcolinesterase no plasma ou soro | FJ | 60% da atividade basal (#) | |
| Flúor, ácido fluorídrico e fluoretos inorgânicos | Fluoreto urinário | AJ48 | 2 mg/L |
Nenhuma substância encontrada.
Passe o mouse sobre o código de coleta para ver o significado. Valores expressos como IBE (Índice Biológico de Exposição) ou EE, exposição excessiva, conforme o Anexo I.
Como a NR-7 conversa com as outras normas
- Parte do inventário de riscos do PGR, da NR-1. O PGR vem primeiro; o PCMSO se apoia nele.
- Usa o grau de risco do Anexo I da NR-4 para calibrar a hipótese de dispensa de micro e pequenas empresas.
- Os dados de saúde alimentam eventos de SST do eSocial, entre eles o monitoramento da saúde do trabalhador.
- Onde há SESMT, o médico do trabalho da equipe costuma ser o coordenador do programa. Veja quando o SESMT exige médico.
Onde ler o texto oficial
Esta página resume a NR-7 em linguagem direta. O texto oficial e vigente está na página da NR-7 no portal do Ministério do Trabalho e Emprego, incluindo os anexos com exigências específicas por agente. Em caso de divergência, prevalece a publicação oficial. Conteúdo orientativo: não substitui parecer de profissional legalmente habilitado.